Eu não me lembro o dia exato em que finalmente aconteceu, só me lembro de ter sido uma terça-feira. Tava vento e frio, mas o sol brilhava. Meu tipo de dia favorito.
Eu acordei as 6:30 da manhã, apesar de meu alarme só tocar às 8 horas. Minha mãe me acordou com uma mensagem no meu celular (que não ficava constantemente no silencioso, até o momento): “Bom dia! Boa sorte hoje!”
Boa sorte hoje. Essas três palavras me impediram de dormir até as 8:35 – meu horário de levantar naquele mês.
Apesar de eu precisar acordar, na verdade, às 8 horas pra chegar à tempo pra aula, as 4 semanas de curso estavam quase no fim, então eu não levava mais o horário tanto em consideração.
O Ben não iria ligar de qualquer forma.
Boa sorte hoje. Isso ficou ecoando na minha cabeça como aqueles jingles chatos de comerciais, sabe?
Merda, por que eu sou tão ansiosa quanto a tudo o tempo todo?
Eu desisti de tentar voltar a dormir e às 8 horas desci pra a sala de almoço, onde todas as minhas housemates já se encontravam. E comiam esfomeadamente – como sempre.
Na verdade é até incrível o quanto pessoas asiáticas podem ser pequenas, se for pra comparar o TANTO que eles comem.
Eu tentei fazer como elas e comer algo antes que toda a comida desaparecesse, mas não teve jeito. Eu sabia que meu estômago iria recusar comida o dia todo.
Stupid anxiety.
Eu andei até a escola com a Kirstin, como sempre também. Ela se tornou minha amiga mais próxima lá na casa em menos de dois dias. Eu tenho que adimitir que ela era um amor. Mas ela falava muito.
Os nossos quinze minutos de caminhada foram preenchidos com uma pura e profunda inquisição sobre mim:
“E então, você falou com ele? E aí? Como tão indo as coisas? O que ele disse? Você vai ver ele hoje? Qual o nome dele mesmo? De onde ele é mesmo? Onde ele foi no fim de semana? Sério? Foi legal? Vocês conversam bastante?”
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… continua.


